segunda-feira, 29 de março de 2010

Sobre o Cuspe

Incidentes insignificantes provocam pensamentos nunca pensados. Eu me preparava para ultrapassar o carro que ia vagarosamente à minha frente quando o seu motorista virou o rosto para o lado esquerdo e cuspiu na estrada, um ato ecologicamente correto. Mas o seu ato banal provocou o meu pensamento. Por que os homens cospem? É preciso reconhecer que cuspir não é um ato natural. Gatos, cachorros, macacos e pássaros não cospem. Todo mundo sabe disso. Na roça, brincando com enigmas, perguntava-se às crianças: “Por que é que o boi baba?” A resposta certa era: “Porque ele não sabe cuspir”. Animais não sabem cuspir. O que prova que o ato de cuspir não está inscrito na sua programação biológica. Parece que, entre os animais, há uma exceção: contaram-me que os lhamas, quando não gostam de uma pessoa, atacam-nas com cusparadas monumentais. Deixada de lado essa exceção animal, é forçoso constatar que o ato de cuspir é exclusivamente humano e sua técnica tem de ser ensinada de geração a geração como um valor cultural. Não se nasce sabendo cuspir. É preciso que alguém ensine e que alguém aprenda. Faz parte da educação.

Mas logo me repreendi por estar perdendo o meu tempo com pensamentos tão bobos. Esqueci-me do cuspe como tema de pensamento. Aí, acidentalmente, lendo um texto de Manoel de Barros, encontrei essa afirmação: “Todas as coisas cujos valores podem ser disputados no cuspe à distância, servem para a poesia...” Espantei-me. Então o grande poeta de influência internacional usa o cuspe como unidade de medida do valor da poesia? Percebi: o cuspe tem dignidade poética!

Voltei a pensar sobre o cuspe, agora sem sentir culpa. Lembrei-me da dignidade teológica do cuspe. Relatam os evangelhos que Jesus, para curar um cego, cuspiu no chão, fez um barrinho de cuspe e terra, esfregou nos olhos do cego, ordenou que ele fosse se lavar num tanque sagrado, e o cego voltou a ver! Um conhecido, estudioso de seitas curiosas, disse-me haver uma “Igreja do Cuspe de Cristo”, o que é perfeitamente compreensível. Pois não há igrejas do “sangue de Cristo”? No Filho de Deus sangue e cuspe têm o mesmo poder salvífico.

Meu filho, retornando de uma viagem a uma das nossas capitais de estado, comentou o seu espanto ante o hábito generalizado de cuspir. Todo mundo cuspe. Não havia na sua observação nenhum julgamento negativo de valor, como se o ato de cuspir fosse falta de educação. Ele estava simplesmente intrigado... Há muitos anos, voltando da Europa para o Brasil, o avião fazia escala em Dakar, onde tive de esperar várias horas. Assentei-me num hall do aeroporto, onde estavam várias senhoras locais em seus trajes esplendidamente coloridos e turbantes na cabeça. Conversavam animadamente. Mas o que me surpreendeu foi o fato de que elas, a intervalos regulares, cuspiam de forma certeira num vaso que se encontrava no centro do espaço. Não se tratava daqueles cuspes raquítico, dependurados, que caem pela força da gravidade. Parecia-me antes um jogo de basquete em que o cuspe, fazendo as vezes da bola, era impulsionado vigorosamente por ar comprido.

Houve tempo em que era normal que houvesse nas salas de visita das casas e nos lugares públicos, especialmente barbearias, escarradeiras. Suspeito que em séculos passados a prática do cuspe era algo culturalmente cultivado na Europa. Cuspir era elegante. Semelhante ao uso do rapé que era guardado em pequenas caixas de prata, dotadas de um pequeno ralador para que o fumo em rolo fosse ralado em pó, na hora. Eis aí um hábito em perigo de extinção! São pouquíssimos os que conhecem os seus prazeres! Um espirro é um orgasmo nasal. Ele segue o mesmo caminho dos prazeres sexuais. A princípio, uma pequena cócega. Aí a cócega vai crescendo, aumenta, até chegar a um momento insuportável quando acontece a descarga e vem o repouso inicial. A prova de que o cuspe era coisa elegante na Europa, encontrei-a na casa de uma senhora que, com orgulho, exibia sua escarradeira “Limoges”, importada da Europa. “Limoges” ( não sei se é assim que se escreve), se é que você não sabe, era uma famosa marca de porcelana. Na casa daquela senhora a escarradeira sobre a mesa tinha uma função meramente decorativa e, se não me engano, foi vendida a um antiquário por bom preço. Tinha o formato de um pote do tamanho de um penico grande, azul brilhante, com três caras de leão com boca aberta, dos lados. Se tais peças caras eram produzidas era porque havia mercado consumidor. O que prova o meu ponto.

Tolerância é uma palavra feia. Porque ela implica um desgosto fundamental, um nojo, que se aceita por educação. Tolero... Melhor que tolerar um cuspidor ou escarrador é compreendê-lo. Eles têm suas razões. Tal como acontece com as eructações sonoras a que se entregam os indianos e árabes após as refeição. Digno “eructação” e não “arroto” que, a se acreditar nos dicionários, são sinônimos, porque o som da palavra “arroto” é um deboche, enquanto “eructação” é nobre. “Eu eructo’ é totalmente diferente de “eu arroto”. Quem come e não eructa comeu e não gostou. A eructação discreta, contida pelo guardanapo e seguida de um pedido de desculpas é, realmente, afrontosa. Certas boas maneiras ocidentais, em outras culturas, são grosserias imperdoáveis! Assim, aplicando-se o método psicanalítico ao escarro e ao cuspe, é preciso desvendar o que estão dizendo. Notei que os jogadores de beisebol cospem para o lado como parte das suas encenações. E ontem, vendo a despedida do Romário na televisão, vi que um jogador também cuspiu para o lado, antes de bater um escanteio. Imaginei, portanto, que o ato de cuspir ou escarrar tem uma função de exibição fálica. Quem cospe está dizendo: “Sou macho...” Mas, como explicar os cuspes das mulheres no aeroporto em Dakar? É muito simples. São revelações dos seus desejos. Porque toda escarradeira é feminina, um orifício e um espaço vazio. Enquanto o cuspe é masculino. Não é preciso chamar a atenção do leitor para a semelhança que existe entre a cusparada e a ejaculação.

Fisiologicamente classifiquei os cuspes em guturais, linguais, palatais, labiais, sendo que os labiais se sub-dividem em frontais, laterais esquerdos, laterais direitos... Mas esse é assunto para uma outra crônica que não escreverei...


Rubem Alves


p.s. texto em homenagem a Mariana "gordenha"

quinta-feira, 25 de março de 2010

Dicionário Matuto

What the hell is that? = Diabéisso?
Hurry up! = Avia, homi!
Take it easy! = Se avexe não!
Don't be stupid! = Deixe de ser jumento!
Let's go, fellows! = Rumbora negada!
No thanks! = Carece não!
Very far away! = Lá na caixa prego!
Very good = Danado de bom
This way = Pêralí
So so = Marromeno
Straight ahead = No rumo da venta
Get out of the way = Ó o mei! Sai do mei!
That's cool! = É pai d'égua!
I give up! = Peço penico!
Wait for me! = Perainda!
Hey, mister! = Ei, seu cabra!
Son of bitch = Fi duma égua!
Come to me, baby! = Simbora, Tonha!

sábado, 20 de março de 2010

" Se você ainda não encontrou a sua metade da laranja, não se preocupe......ache a metade de um limão, acrescente gelo, açúcar e vodka...e seja feliz! "

sexta-feira, 19 de março de 2010

...tudo na vida passa...com chá, remédio e cachaça...

quarta-feira, 17 de março de 2010

A solidão amiga

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“

Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

“Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos
poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“

E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita.“ É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

“...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília...“

Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...

A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.

Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.


Rubem Alves

sexta-feira, 12 de março de 2010

Uma vez, reuniram-se todos os sentimentos, qualidades e defeitos dos homens num lugar da terra.
Quando o ABORRECIMENTO começou a reclamar pela terceira vez, a LOUCURA, como
sempre tão louca,propôs-lhe:
- Vamos brincar ao esconde-esconde?
A INTRIGA levantou a sobrancelha intrigada e a CURIOSIDADE, sem poder
conter-se, perguntou:
- Esconde-esconde? Como é isso?
- É um jogo. explicou a LOUCURA, em que eu fecho os olhos e começo a contar de
um a um milhão enquanto vocês se escondem, e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupará o meu lugar para continuar o jogo.
O ENTUSIASMO dançou juntamente com a EUFORIA.
A ALEGRIA deu tantos saltos que acabou por convencer a DÚVIDA e até mesmo a APATIA, que nunca se interessava por nada. Mas nem todos quiseram participar:
A VERDADE preferiu não esconder-se. - Para que, se no final todos me encontram? - Pensou.
A SOBERBA achou que era um jogo muito tonto e a COVARDIA preferiu não arriscar-se.
- Um, dois, três, quatro... - Começou a contar a LOUCURA.
A primeira a esconder-se foi a PRESSA, que como sempre caiu atrás da primeira
pedra do caminho. A FÉ subiu ao céu e a INVEJA escondeu-se atrás da sombra do TRIUNFO, que com o seu próprio esforço tinha conseguido subir ao cimo da árvore mais alta.
A GENEROSIDADE quase não conseguiu esconder-se, pois cada local que encontrava, lhe parecia maravilhoso para algum de seus amigos: Se era um lago cristalino, ideal para a BELEZA. Se era a árvore mais alta, perfeito para a TIMIDEZ. Se era o vôo de uma borboleta, o melhor para a VOLÚPIA. Se era uma rajada de vento, magnífico para a LIBERDADE. E assim, acabou escondendo-se num raio de sol.
O EGOÍSMO, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado, cômodo, mas apenas para ele.
A MENTIRA escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se
atras do arco-íris) e a PAIXÃO e o DESEJO, no centro dos vulcões. O ESQUECIMENTO, não me recordo onde escondeu-se, mas isso não é o mais importante. Quando a LOUCURA estava lá pelo 999.998, o AMOR ainda não tinha encontrado um lugar para esconder-se, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou uma rosa e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre as flores.
- Um milhão! - terminou de contar a LOUCURA e começou a busca.
A primeira a aparecer foi a PRESSA, apenas a três passos de uma pedra. Depois, escutou-se a FÉ a discutir com DEUS, no céu, sobre zoologia. Sentiu vibrar a PAIXÃO e o DESEJO nos vulcões. E por um descuido, encontrou a INVEJA e claro, pode deduzir onde estava o TRIUNFO.
O EGOÍSMO, não teve nem que procurá-lo. Ele sozinho saiu disparado do seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas. De tanto caminhar, sentiu sede e ao aproximar-se de um lago, descobriu a BELEZA. A DÚVIDA foi mais fácil ainda, pois encontrou-a sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado é que ia esconder-se. E assim foi encontrando todos: O TALENTO entre a erva fresca, a ANGÚSTIA numa cova escura, a MENTIRA atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o ESQUECIMENTO, que já se tinha esquecido que estava a brincar de esconde-esconde.
Apenas o AMOR não aparecia em lado nenhum. A LOUCURA procurou atrás de cada árvore,debaixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas. Quando estava quase a dar-se por vencida,encontrou um roseiral. Pegou numa forquilha e começou a mover os ramos, quando, no mesmo instante,escutou-se um doloroso grito. Os espinhos tinham ferido o AMOR nos olhos. A LOUCURA não sabia o que fazer para desculpar-se. Chorou, rezou, implorou, pediu e até prometeu ser seu guia.
Desde então, desde que pela primeira vez se brincou de esconde-esconde na
terra: O AMOR é cego e a LOUCURA acompanha-o sempre.

Autor Desconhecido

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Ilha dos Sentimentos

Era uma vez uma Ilha onde moravam todos os sentimentos: a Alegria, a Tristeza, a Vaidade, a Sabedoria o Amor e outros...
Um dia avisaram aos moradores da Ilha que ela seria inundada! Apavorado, o Amor cuidou para que todos os sentimentos se salvassem. Ele disse: fujam!!! A Ilha vai se inundada! Todos correram e pegaram os barquinhos para irem até um morro bem alto. Só o amor não se apressou...amava a Ilha e queria ficar um pouco mais...

Quando já estava se afogando, correu pra pedir ajuda...Vinha vindo a riqueza e ele disse: Riqueza me leva com você? – Não posso, meu barco está cheio de prata e ouro...você não cabe aqui...Passou a Vaidade e o Amor pediu: Vaidade, me leva com você? – Não posso, você vai sujar meu barco novo...Daí, passou a Tristeza e mais uma vez o Amor pediu: Me leva com você? – Ah! Amor! Eu estou tão triste que prefiro ir sozinha...Passou a Alegria, mas ela estava tão alegre que nem viu o Amor...! Já desesperado e achando que iria ficar só, o amor começou a chorar...

Daí, passou um velhinho e, olhando, falou: Sobe Amor...eu te levo! O Amor ficou tão feliz que esqueceu de perguntar o nome do velhinho!!!Por fim, chegando no morro alto, o amor encontrou a Sabedoria e perguntou-lhe: Quem era aquele velhinho que me trouxe até aqui? – O Tempo! Respondeu a Sabedoria.-O Tempo? Mas por que só o tempo me trouxe até aqui? A Sabedoria respondeu: Só o Tempo é capaz de reconhecer um grande Amor...!


Autor Desconhecido

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ser Mulher

Ser mulher...
É viver mil vezes em apenas uma vida.
É lutar por causas perdidas esempre sair vencedora.
É estar antes do ontem e depois do amanhã.
É desconhecer a palavra recompensa
apesar dos seus atos.

Ser mulher...
É caminhar na dúvida cheia de certezas.
É correr atrás das nuvens num dia de sol.
É alcançar o sol num dia de chuva.

Ser mulher...
É chorar de alegria e muitas vezes
sorrir com tristeza.
É acreditar quando ninguém mais acredita.
É cancelar sonhos em prol de terceiros.
É esperar quando ninguém mais espera.

Ser mulher...
É identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa.
É ser enganada, e sempre dar mais uma chance.
É cair no fundo do poço, e emergir sem ajuda.

Ser mulher...
É estar em mil lugares de uma só vez.
É fazer mil papeis ao mesmo tempo.
É ser forte e fingir que é frágil...
Pra ter um carinho.

Ser mulher...
É se perder em palavras e
depois perceber que se encontrou nelas.
É distribuir emoçõesque nem sempre são captadas.

Ser mulher...
É comprar, emprestar, alugar,
vender sentimentos, mas jamais dever.
É construir castelos na areia,
ve-los desmoronados pelas águas.
E ainda assim amá-los.

Ser mulher...
É saber dar o perdão...
É tentar recuperar o irrecuperável.
É entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser mulher...
É estender a mão a quem ainda não pediu.
É doar o que ainda não foi solicitado.

Ser mulher...
É não ter vergonha de chorar por amor.
É saber a hora certa do fim.
É esperar sempre por um recomeço.

Ser mulher...
É ter a arrogância de viver
apesar dos dissabores,
das desilusões, das traições e
das decepções.

Ser mulher...
É ser mãe dos seus filhos...
Dos filhos de outros.
É amá-los igualmente.

Ser mulher...
É ter confiança no amanhã e
aceitação pelo ontem.
É desbravar caminhos difíceis
em instantes inoportunos.
E fincar a bandeira da conquista.

Ser mulher...
É entender as fases da lua
por ter suas próprias fases.

sábado, 6 de março de 2010

One Last Cry

My shattered dreams and broken heart
Are mending on the shelf
I saw you holding hands
Standing close to someone else
Now I sit all alone
Wishing all my feeling was gone
I give my best to you
Nothing for me to do

But I've one last cry
One last cry
Before I leave it all behind
I've gotta put you out of my mind this time
Stop living a lie I guess
I'm down to my last cry

I was here, you were there
Guess we never could agree
While the sun shines on you
I need some love to rain on me
Still I sit all alone
Wishing all my feeling was gone
Gotta get over you
Nothing for me to do

But I´ve one last cry
One last cry
Before I leave it all behind
I've gotta put you out of my mind this time
Stop living a lie

I know I've gotta be strong
'Cause all my life goes on and on and on... and on

But I've one last cry
One last cry
Before I leave it all behind
I've gotta put you out of my mind for the very last time
Been living a lie
I guess I'm down
I guess I'm down
I guess I'm down
To my last cry

Marina Elali

sexta-feira, 5 de março de 2010

Amor é síntese

Por favor, não me analise
Não fique procurando
cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise
profunda, quanto mais eu!
Ciumenta, exigente, insegura, carente
toda cheia de marcas que a vida deixou:
Veja em cada exigência
um grito de carência,
um pedido de amor!

Amor, amor é síntese,
uma integração de dados:
não há que tirar nem pôr.
Não me corte em fatias,
(ninguém abraça um pedaço),
me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeita, amor!

Mirthes Mathias